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quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Política de Alfabetização de Sobral é destaque no Jornal Estadão

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

A educação de Sobral foi destaque no Jornal O Estado de São Paulo, nesta quarta-feira (23/10), na reportagem especial “Crianças que leem”. A equipe de reportagem ouviu pais, diretores, coordenadores, estudantes, acompanhou aulas e preparou textos, fotos, vídeos e podcast. O município foi escolhido por ter os estudantes com os melhores níveis de aprendizagem de leitura, escrita e matemática, segundo a última Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA).

Nas escolas, a equipe de jornalistas e fotógrafos acompanhou a rotina dos educadores e estudantes e presenciou momentos como a “chamada de leitura” feita diariamente. Numa mesinha fora da sala, a coordenadora pedagógica entrega um texto e o estudante lê e são avaliados o ritmo, velocidade e compreensão do texto. Assim, a escola tem um levantamento detalhado e individual sobre quais habilidades o aluno já aprendeu de modo satisfatório e quais precisam ser reforçadas em sala de aula.


Leia o trecho da reportagem:

O município de Sobral, no Ceará, tem os melhores resultados do País em alfabetização em um ranking de municípios com mais de mil alunos, também tabulado pelo Estado. Sua já conhecida escalada para uma educação pública de qualidade começou justamente com um plano para garantir que as crianças aprendessem a ler e escrever. Nos anos 90 mais de 50% das crianças da cidade não se alfabetizavam. Esse projeto incluiu fortemente a consciência fonêmica, mas sem preconceito a outras metodologias.


Foto: Tiago Queiroz/Estadão
A professora Dorenice Mendes de Araujo faz praticamente um show na frente da sala para chamar a atenção das crianças para o som do “L” no fim da palavra papel. Mas ao mesmo tempo, as crianças sugerem palavras para serem escritas em sala que elas usam em casa, no dia a dia. “Método Paulo Freire, né?”, diz a diretora da mesma escola em que Dorenice dá aulas, Ana Carla Siebra. O educador, que tem recebido críticas sistemáticas do governo Bolsonaro, defendia justamente que adultos analfabetos, em vez de usar as antigas cartilhas, fossem alfabetizados com palavras já conhecidas, como tijolo e plantação.

“A gente vê com muita preocupação essa polêmica, não faz sentido discutir método. Compreender o método e extrair dele o que é mais importante sim, é estratégico, é fundamental”, diz o secretário de Educação de Sobral, Herbert Lima. Segundo ele, a cidade usa um modelo híbrido, que incentiva muito a leitura desde a educação infantil, mas com bastante importância dada ao reconhecimento do som das letras. Dependendo da série, a cidade dá mais ênfase ao método fônico, em outras, busca mais um ensino construtivista.


No entanto, o método usado para a alfabetização está longe de ser a razão do sucesso de Sobral. O sistema implementado ao longo de anos inclui uma formação mensal dos professores sobre as melhores práticas, avaliações constantes das crianças para identificar e corrigir problemas de aprendizagem e uma gestão baseada em mérito, que trabalha para que o ensino seja eficiente. Além disso, houve uma continuidade das políticas educacionais ao longo de duas décadas, algo raro nas administrações de municípios e Estados no País.


“Você chega numa escola em Sobral e a escola pode não ter um luxo aparente, mas tem livro para todo mundo, tem um professor atento, controle absoluto de absenteísmo docente, as mães e as crianças chegam na escola e são todas contadinhas”, diz Ilona, que fez uma tese de doutorado sobre o sistema de ensino da cidade. Mesmo sendo uma defensora do método fônico, ela enumera outras questões que fizeram Sobral ser Sobral. “Existe um respeito aos profissionais da educação lá que é fantástico, é uma equipe extremamente coesa, com rígido controle pedagógico, mas feito para as pessoas darem o melhor de si”.


- Leia a reportagem na íntegra aqui.
- Ouça o podcast aqui.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Política de Alfabetização de Sobral é apresentada em Congresso Internacional de Jornalismo de Educação



A política educacional de Sobral foi apresentada no 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação, em São Paulo, promovido pela Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca), nos dias 19 e 20 de agosto. No segundo dia do evento, a diretora do Centro de Educação Infantil Dolores Lustosa, Ticiane Silva, participou do painel “Alfabetização na prática: como trabalham os professores”, composto também pela professora Mirlene Barcelos de Lagoa Santa-MG e mediado pela repórter de educação do G1, Ana Carolina Moreno.

Abrindo o painel foi apresentado um vídeo, que mostra algumas das atividades desenvolvidas dentro e fora da sala de aula com os estudantes da Rede Municipal de Ensino de Sobral para desenvolvimento da leitura. “A rotina e gestão da sala de aula em Sobral é estruturada para ajudar o professor a focar no tempo pedagógico com um olhar que transforma todos os momentos em ricas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento no âmbito da alfabetização. A criança tem o direito de aprender e consegue aprender desde que haja uma política pública de qualidade, pessoas que apostem, invistam e que possam dar continuidade ao processo”, explica Ticiane Silva.

A diretora escolar apresentou os eixos estruturantes da política educacional de Sobral (Fortalecimento da gestão escolar, fortalecimento da ação pedagógica e valorização do magistério) e as estratégias adotadas pela rede como os novos documentos curriculares de português, matemática, ciências e educação infantil, a tutoria pedagógica, o monitoramento da frequência escolar, visitas domiciliares, chamada de leitura, que acontece em todas as escolas a partir do 1° ano, observação de sala de aula, projetos de leituras desenvolvidos nas escolas, entre outros.